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domingo, 25 de outubro de 2015

Educação Física escolar contemporânea: segundo a perspectiva de seus autores

Fensterseifer e Silva (2011) pontuaram também certas características que fundamentam experiências inovadoras, como:
  • Proposta pedagógica articulada com o currículo da escola;
  • Desenvolvimento de conteúdos de forma progressiva e com preocupação sistematizadora;
  • Envolvimento do conjunto dos(as) alunos(as) nas aulas;
  • A presença de conteúdos variados representativos da diversidade que compõe a cultura corporal de movimento;
  • Processos de avaliação articulados com os objetivos do componente curricular.

http://www.efdeportes.com/efd182/educacao-fisica-escolar-contemporanea.htm

  • FENSTERSEIFER, P, E. SILVA, M, A da. Ensaiando o “novo” em Educação Física Escolar: a perspectiva de seus atores. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 1, p. 119-134, 2011.
  • FENSTERSEIFER, P, E; GONZÁLEZ, F. J; Entre o “não mais” e o “ainda não”: Pensando saídas do não lugar da EF escolar I e II. Cadernos de Formação RBCE, p. 10-21, mar. 2010.
  • SILVA, Maria Cecília de Paula. Educar para superar: uma reflexão sobre a educação física escolar. Pensar a prática, Goiânia - GO, v. 7, n. 2, p. 205-221, 2004.

domingo, 12 de abril de 2015

Entrevista com profissional, explica sobre o papel da Educação Física nas escolas


De todas as disciplinas do Ensino Fundamental, provavelmente a Educação Física foi a que sofreu transformações mais profundas nos últimos tempos. Mudanças pedagógicas e na legislação fizeram com que até mesmo sua missão fosse questionada. Se até a década de 1980 o compromisso da área incluía a revelação de craques e a melhoria da performance física e motora dos alunos (fazê-los correr mais rápido, realizar mais abdominais, desenvolver chutes e cortadas potentes), hoje a ênfase recai na reflexão sobre as produções humanas que envolvem o movimento.


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De todas as disciplinas do Ensino Fundamental, provavelmente a Educação Física foi a que sofreu transformações mais profundas nos últimos tempos. Mudanças pedagógicas e na legislação fizeram com que até mesmo sua missão fosse questionada. Se até a década de 1980 o compromisso da área incluía a revelação de craques e a melhoria da performance física e motora dos alunos (fazê-los correr mais rápido, realizar mais abdominais, desenvolver chutes e cortadas potentes), hoje a ênfase recai na reflexão sobre as produções humanas que envolvem o movimento.
Se antes o currículo privilegiava os esportes, hoje o leque se abre para uma infinidade de manifestações, da dança à luta, das brincadeiras tradicionais aos esportes radicais. Ecos da perspectiva cultural, que domina pesquisas e ganha cada vez mais espaço nas escolas.

Considerado um dos principais investigadores dessa tendência, o professor Marcos Garcia Neira, da Universidade de São Paulo (USP), defende que a principal função da Educação Física escolar é analisar a diversidade das práticas corporais da sociedade – mesmo as consideradas mais polêmicas, como danças do tipo funk e axé. Amparado por 17 anos de docência na Educação Básica e pela participação na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e das Orientações Curriculares do município de São Paulo, Neira discute essa questão provocadora e avalia os principais desafios da disciplina.


Por que a Educação Física mudou tanto nos últimos anos?


MARCOS GARCIA NEIRA Foi uma mudança que acompanhou uma série de outras transformações. Na sociedade, grupos que não tinham sua voz ouvida ganharam espaço, o que impactou o currículo. A escola, antes voltada apenas para o conhecimento acadêmico ou a inserção no mercado, passou a visar a participação do aluno em todos os setores da vida social, o que mexeu com os objetivos da área. E a própria legislação, que desde a década de 1970 apontava um compromisso com a melhoria da performance física e a descoberta de talentos esportivos, foi substituída em 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que propõe que a Educação Física seja parte integrante da proposta pedagógica da escola.


Na prática, quais foram as principais transformações?


NEIRA Eu acredito que a Educação Física passou a ser reconhecida como um componente importante para a formação dos alunos. Antes, eram comuns as aulas fora do período regular, as dispensas por motivos médicos ou a substituição por atividades pouco relacionadas com a área, como conselhos de classe, por exemplo. Tudo isso colaborou para construir, na cabeça de alunos e professores, a representação de uma disciplina alheia ao projeto escolar, que servia apenas como recreação ou passatempo e não tinha nenhum objetivo pedagógico. Hoje, essa concepção não é mais dominante.


Qual é o objetivo da Educação Física escolar hoje?


NEIRA É o mesmo objetivo da escola: colaborar na formação das pessoas para que elas possam ler criticamente a sociedade e participar dela atuando para melhorá-la. Dentro dessa missão, cada disciplina estuda e aprofunda uma pequena parcela da cultura. O que a Educação Física analisa é o chamado patrimônio corporal. Nosso papel é investigar como os grupos sociais se expressam pelos movimentos, criando esportes, jogos, lutas, ginásticas, brincadeiras e danças, entender as condições que inspiraram essas criações e experimentá-las, refletindo sobre quais alternativas e alterações são necessárias para vivenciá-las no espaço escolar.


Como deve ser uma aula ideal?


NEIRA Certamente não deve ser a do tipo “desce para a quadra, corre, corre, corre, sua, sua, sua e volta para a sala”. A Educação Física proposta na escola não pode ser a mesma proposta em outros espaços. Se é apenas para o aluno se divertir, existem lugares para isso – ginásios públicos e centros comunitários, por exemplo. Se é somente para aprender modalidades esportivas, melhor procurar um clube ou uma academia. A escola não serve para formar atletas, mas para refletir e entender as manifestações culturais que envolvem o movimento.


Um exemplo concreto: como abordar o futebol nessa perspectiva?


NEIRA O trabalho pode começar com a turma experimentando jogar futebol, mas não pode parar por aí. A vivência de qualquer modalidade na escola exige reflexão e adaptação. Propondo uma pesquisa, é possível levar os alunos a conhecer outros tipos de futebol – de campo, de quadra, de areia, feminino -, conhecer quem pratica o esporte hoje, como se jogou no passado e como se pode jogar na escola. É importante que eles saibam, por exemplo, que o esporte já foi praticado sem juiz, que os atletas não tinham números na camisa e que o pênalti era cobrado de outra maneira. Com base nessas informações, voltam à prática já atentos a novas questões: é preciso arbitrar os jogos? Como fazer meninos e meninas participar simultaneamente? E as crianças com deficiência?


Apesar de a disciplina ter se tornado mais reflexiva, as atividades práticas continuam sendo importantes?


NEIRA É claro. A vivência segue sendo fundamental porque é somente por meio dela que a turma sente a necessidade de fazer adaptações, algo presente em todas as modalidades. Afinal, elas se transformam conforme “conversam” com a sociedade. O voleibol, por exemplo, mudou seu sistema de pontuação principalmente para se adaptar às transmissões de TV. Essa lógica vale para todas as manifestações corporais, mesmo as mais lúdicas. Quando alguém brinca de pega-pega na rua, brinca de certo jeito. Quando vai brincar com 35 crianças na escola, precisa adaptar a atividade para que ela funcione.


Campeonatos e festivais esportivos continuam tendo espaço?


NEIRA Particularmente, acho que montar uma seleção com seis a 12 alunos e deixar 300 sem aula para disputar uma competição é fabricar adversários. Não podemos partir do pressuposto de que um pequeno grupo vai ser privilegiado e participar da atividade enquanto a maioria vai apenas torcer, ou nem isso. Agora, se os educadores consideram a competição algo importante, é possível, sim, organizar eventos, mas de uma perspectiva diferente. Sugiro, por exemplo, combinar de levar uma turma de 5ª série para jogar com a de uma escola próxima, negociar regras, fazer todo mundo participar da experiência e realizar uma avaliação conjunta depois, discutindo o que os jovens acharam da atividade e como melhorá-la numa próxima vez.


Como lidar com crianças que demonstram especial habilidade em alguma modalidade esportiva?


NEIRA Devemos estimulá-las a prosseguir. Entretanto, o lugar para continuar com o trabalho não pode ser a escola, mas instituições especializadas para a prática esportiva. A escola tem como função ajudar a compreender o mundo e sua cultura. Não há como desenvolver um projeto esportivo se o que se pretende é contemplar todos os alunos.


Alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra, usam as escolas como base para revelar atletas. Isso pode ser uma alternativa para o Brasil?


NEIRA O incentivo ao esporte visando a participação em eventos internacionais já foi a política oficial da Educacão Física em nosso país na década de 1970. Não deu certo. Ainda que algumas nações vejam na disciplina uma forma de aprimorar o desenvolvimento motor e físico, esse enfoque competitivo e as atividades de treinamento costumam ocorrer em momentos extra-aula.


Como saber quais esportes, jogos, lutas, danças e brincadeiras devem fazer parte do currículo?


NEIRA O ponto de partida é sempre o diagnóstico inicial. O interessante é que esse mapeamento do patrimônio cultural corporal da turma – as práticas ligadas ao movimento que os alunos conhecem ou realizam – revela uma realidade mais diversificada do que imaginamos. A garotada brinca de esconde-esconde, conhece skate pela TV, tem algum parente que pratica ioga e conhece malha ou bocha porque os idosos jogam na praça. É possível ainda fazer outros mapeamentos. O professor pode passear pelo bairro observando manifestações corporais e equipamentos esportivos. Há academias ou ruas de caminhada, por exemplo?


Mas é preciso escolher algumas práticas no meio de tanta diversidade. Como fazer isso?


NEIRA Antes de mais nada, é fundamental ter em mente as finalidades do projeto pedagógico da escola – devemos lembrar que a Educação Física não pode ser uma prática alienada. Além disso, a perspectiva cultural da disciplina considera quatro princípios importantes na definição do currículo. O primeiro é que a matriz de conteúdos deve dialogar com todos os grupos que compõem a sociedade – e trabalhar só com esportes modernos contradiz esse princípio. O segundo é a noção de que o aluno precisa enxergar na sociedade as manifestações que está estudando. O terceiro é entender e respeitar as possibilidades de cada estudante, evitando, por exemplo, as avaliações por performance. E o quarto é o professor repensar constantemente a própria identidade cultural para aperfeiçoar o currículo.


Qual deve ser a postura da escola quando a cultura corporal dos alunos inclui danças como o funk e o axé?


NEIRA Não devemos fechar os olhos para essas manifestações, pois podem ser danças que os estudantes cultuam fora da escola. Isso não significa que devemos ficar apenas com aquilo que eles conhecem. Se o professor focar só os aspectos superficiais do funk e do axé, ensaiando coreografias, por exemplo, não estará cumprindo seu papel. Por outro lado, um trabalho crítico ajuda as crianças a analisar e interpretar o que são essas danças, contribuindo para que elas conheçam a própria identidade cultural e entendam quem são. A chamada cultura de chegada dos estudantes é um bom ponto de partida para um trabalho em direção a uma cultura mais ampla. A escola deve sempre fazer essa ponte entre o repertório conhecido e o desconhecido.


Como isso funciona na prática?


NEIRA É preciso transformar o conhecimento dos alunos em objeto de análise e investigação pedagógica. Considero válido, por exemplo, um projeto que aborde o funk e o axé no contexto de outras danças contemporâneas, estudando as letras, entendendo o que está embutido nelas, as práticas interessantes ou desinteressantes que acompanham essas manifestações. Em seguida, é possível convidar dançarinos ou trazer vídeos para apresentar outras danças, ampliando o repertório da turma. É um trabalho multicultural porque considera diversos tipos de prática corporal, mas é um multiculturalismo crítico porque questiona e analisa cada uma delas.


Como desenvolver o senso crítico?

NEIRA Comparando, indagando e aprofundando conteúdos para que a turma reflita. Depois de pular amarelinha, pense por que existem as “casas” do céu e do inferno. Durante o estudo dos exercícios físicos, reflita por que a academia se transformou numa espécie de espaço sagrado da saúde se as qualidades físicas alcançadas por lá também são obtidas, de graça, no parque. Uma Educação Física que trabalha apenas com o movimento não constrói esse senso crítico.
Matéria publicada pelo site Veja 

Práticas Inovadoras em Educação Física e Esportes na Ásia

Práticas Inovadoras em Educação Física e Esportes na Ásia

UNESCO publica livro sobre Educação Física na Ásia

O crescimento econômico observado em muitos países da Ásia, levou a mudanças significativas em práticas culturais e sociais. Como as pessoas se tornam mais ricas, seus estilos de vida e hábitos se refletem em mudanças de prioridades e poder de compra. Em geral, as pessoas nas áreas urbanas da Ásia têm ficado mais sedentárias em conjunto com maiores avanços tecnológicos que oferecem uma fuga da atividade física. Esta tendência aumentou as preocupações dos educadores físicos que notaram um declínio interesse em educação física e esportes nas escolas.
Este livro publicado pela UNESCO traz algumas inovações implantadas em alguns países e seus resultados.


Índice do Livro

Chapter 1: Overview of Recent Innovative Practices in Physical Education and Sports in Asia

Introduction
Situational Analysis: The Asian experience
Physical Education and Sports Reforms
Conclusion
References

Chapter 2: Physical Education in Malaysia: A Case Study of Fitness Activity in Secondary School Physical Education Classes

Introduction
The status of PHysical Education in Malaysia
Lack of Continuous Upgrading for PE Teachers
Case Study: Fitness Activities in Physical Education Classes
References

Chapter 3: Physical Education and School Sports in the Philippines: A Historical Point of View

Introduction
A Historical Review
Case Study: Institute of Youth Sports for Peace
Conclusions
References

Chapter 4: School Physical Education Reform and Development in the People’s Republic of China

Introduction
History of Physical Education Reforms in China
Characteristics of the Current Physical Education Curriculum Reform in China
Case Study: Nanquan School-Based Course at Licheng Experimental Primary School in Quanzhou, Fujian Province
Conclusions
Bibliography

Chapter 5: Innovative Practices in Physical Education and Sports in Lao PDR

Introduction
Situational Analysis of Physical Education and Sports in Lao PDR
Case Study: National Sports Competition
Conclusion

Chapter 6: Every Step Counts: School Physical Activity during Physical Education and Recess in Singapore

Introduction
Literature Review
Case Study: Measurements of PA during Physical Education and Recess
Conclusions and Future Research
References

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ESCOLA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS: o Projeto de uma Época


José Tarcísio Grunennvaldt

Resumo


Neste artigo destaco algumas discussões desenvolvidas nos capítulos da dissertação de mestrado Escola Nacional de Educação Física e Desportos: O projeto de uma época. Privilegiei a pesquisa histórica como caminho metodológico e o referencial teórico do pensador Antônio Gramsci. Constatei que a ENEFD, pela afinidade dos militares junto ao Estado Novo, favoreceu o desenvolvimento de uma concepção ativista que consolidou-se enquanto essência histórica, perdurando esta influência até os dias de hoje.

Palavras-chave


Educação Física; Esporte; Lazer

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